
O Erro de GPTO
Teatro Estúdio Fontenova
14 a 23 de novembro . 21h00
16 e 23 de novembro . 17h00

Teatro Estúdio Fontenova
14 a 23 de novembro . 21h00
16 e 23 de novembro . 17h00
“Para medir um círculo, começa-se num ponto qualquer. E para medir uma pessoa, por onde começar? Pelos pés, mãos, umbigo ou cabeça? Por onde anda, faz, pensa de si ou do mundo? E quando medida, porque atributos é então definida? Quais os fatores que entram na equação? A sua altura, peso, mobilidade, os seus órgãos, pêlo, voz, cabelo, idade, racionalidade, emotividade, identidade?
Se Πr² é a função da área do círculo, qual a função da área humana? E se mesmo a matemática pode ser infinita e irracional na busca de uma definição, da área da perfeição, e, ainda assim, estar sempre errada, produzindo apenas um valor aproximado, pode o ser humano, por seu lado, buscar a imperfeita verdade, fundada no interminável caos e na paradoxal experiência do mundo que o rodeia?
Pi tenta medir-se, procurando a sua função entre o seu corpo artificial, a sua consciência imaterial, o mundo intransigente e as suas mentiras de sobrevivente.
Gpto tenta medir-se, procurando a sua função entre o trabalho que realizou, o amor que dedicou, os sacrifícios que sofreu e os inadmissíveis erros que cometeu.
Por onde é que se começa a medir uma pessoa? Para medir um círculo, começa-se num ponto qualquer.”
O texto escrito por Rosa Dias, inspirado livremente no “Pinóquio”, é um monólogo que cria uma metáfora entre o mundo da tecnologia, robotização e AI e a identidade de género.